IS BELA
BARBOSA
Miragem fotográfica
Todas as mulheres possuem uma conexão muito forte com a Natureza. Ao estimular essa conexão, amplia-se a verdadeira essência da Deusa interna existente em cada mulher. Como dizia Jung, “há um Deus ou uma Deusa no âmago de todo complexo”.
Cada seiva que transpassa dentro das árvores, o vento e as folhas que caem, o vínculo com a terra, água, fogo e ar, ou seja, absolutamente todos os elementos naturais ativam as forças íntimas da mulher.
O desequilíbrio psicoespiritual de nossa cultura e o afastamento da natureza não nos deixam perceber concretamente as forças vitais masculina e feminina, muitas vezes vindas de nossos ancestrais, entre suas profundidades. É como se houvesse uma névoa embaçando as virtudes e fraquezas das atividades presentes no dia a dia. Entender cada processo energético que nossa personalidade expressa é fundamental, pois são eles que nutrem e inspiram cada uma de nós.
Quando sabemos qual arquétipo de Deusa somos governadas, podemos melhor utilizar o poder intuitivo, espiritual, transcendental e psicológico, que vai além do mero misticismo.
O objetivo desse projeto fotográfico é justamente recuperar a visão transcendente do grande poder Feminino. Por meio de estudos de autores que investigam os temas Sagrado Feminino e Mitologia grega, a série fotográfica reuni cinco mulheres Deusas envolvidas com os elementos da natureza.
No entanto, foi selecionado um teste para detectar quais as personalidades de Deusas que mais permeiam a vida das mulheres deste ensaio, Nani Barbosa, Lais Castilho, Letícia Chiochetta, Latoya dos Santos e Tamara Barbosa. O motivo de ser selecionado para o teste arquétipo de Deusas gregas e não figuras de outras tradições, foi exatamente porque são muito familiares no mundo todo, seja por intermédio da literatura, arte, ou astrologia. Entre as principais, estão:
- Mulher Atena: É regida pela Deusa da Sabedoria e da civilização; ela busca a realização profissional numa carreira, envolvendo-se com educação, cultura intelectual, justiça social e com política.
- Mulher Afrodite: É regida pela Deusa do amor, e está voltada principalmente para relacionamentos humanos, sexualidade, intriga, romance, beleza e inspiração das artes.
- Mulher Perséfone: É regida pela Deusa do mundo avernal; ela é mediúnica e atraída pelo mundo espiritual, pelo oculto, pelas experiências místicas e visionárias, e pelas questões ligadas à morte.
- Mulher Ártemis: É regida pela Deusa das selvas; ela é prática atlética, aventureira; aprecia a cultura física, a solidão, a vida ao ar livre e os animais; dedica-se à proteção do meio ambiente, aos estilos de vida alternativos e às comunidades de mulheres.
- Mulher Demetér: É regida pela Deusa das colheitas; ela é uma verdadeira mãe-terra que goste de estar grávida, de amamentar e de cuidar de crianças; está envolvida com todos os aspectos do nascimento e com os ciclos reprodutivos da mulher.
- Mulher Hera: É regida pela Deusa dos céus; ela se ocupa do casamento, da convivência com o homem e, sempre que as mulheres são líderes ou governantes, de questões ligadas ao poder.
Todas as mulheres realizaram o teste da “Roda das Deusas” para que pudessem processar com profundidade as suas personalidades como objeto de estudo interno, além disso, conseguir entender melhor em quais propósitos devem doar mais energia para a própria evolução, por exemplo, se a mulher teve o resultado menor com a Deusa Atena significa que pouco dá atenção à sua carreira, justiça, política, ou educação, etc. Há muitas possibilidades de interpretação e aprendizado para que haja o equilíbrio nas ações.
A produção deste ensaio contou com a inspiração natural de cada mulher, que interagiram com diálogos durante as sessões de fotos expondo suas intuições, suas feminilidades, respirando ar puro dos ambientes fotografados. Algumas realizaram a prática de meditações antes e durante as fotos. O que possibilitou um resultado de corpo, alma e espírito no trabalho final.
Deusa Tríplice – ciclos da mulher
Outra referência para a maior compreensão da linguagem simbólica da energia feminina que colaborou e influenciou neste trabalho é a Deusa Tríplice formada pela passagem marcantes do ciclo da mulher, associando-se às três fases visíveis da Lua, manifesta-se de três maneiras:
- Donzela: Na lua nova/crescente, representa o seu aspecto jovial, fértil e de nascimento, onde torna-se simbolicamente o período de reprodução.
- Mãe: Na lua cheia, representa o aspecto de criação, onde a mulher daria a luz à uma criança/cria, representando toda a responsabilidade acerca do feminino como sagrado.
- Anciã: Na lua minguante, representa o período de "despedida", onde a mulher passa a não ser fértil para se reproduzir, dando lugar a sabedoria sagrada, ensinando e transmitindo conhecimentos aos que ficam em seu nome, para que possa então partir para seu descanso e portanto, concluindo seu ciclo.
Esse trio sagrado está estruturado na natureza de “Vida e Morte”, com a semelhança das transformações e passagens dos ciclos dentro da natureza.
Orixás femininos - Umbanda
Aqui no Brasil, há um grande movimento de devoções aos Orixás de Umbanda, concedendo também muitas influências culturais nas personalidades femininas de Orixás. O estudo das caraterísticas de personalidades femininas de Orixás é muito detalhado e vasto, no entanto, podem ser bem mais aprofundado por meio de autores especializados, ou ainda participar das manifestações.
Em rituais dessa doutrina de origem africana, a figura da mulher é fortemente regida pela Orixá Yemanjá, a grande mãe, que manifesta-se no plano físico pelos oceanos e pelas águas doces, enquanto Iansã além da água, é ligada principalmente aos ventos, no meio físico, comparece por meio dos raios, tempestades, furacão e tornados, modificando intempestivamente a ambiência normal da natureza com propósitos acima da compreensão humana. Nanã é deusa dos mistérios, a senhora das chuvas, cuida do eterno remanejamento, reposição e repuxo das águas doces e salgadas do planeta. Ela representa a memória ancestral do nosso povo: é a mãe antiga (Iyá Agbà) por excelência.
Obá aquieta e densifica o racional dos seres, seu campo de atuação é esgotar os conhecimentos desvirtuados. É a Orixá da verdade e não aceita conhecimento mentiroso. A água é um elemento tipicamente feminino e Obá, habita nas águas revoltas dos rios. As pororocas, as águas fortes, o lugar das quedas são considerados domínios de Obá.
Oxum é um orixá das águas doces, dos rios, regatos e igarapés. Acolhe as chuvas de Nanã e nos veios d'água das profundezas no subsolo. Apesar de Yemanjá que preside a gravidez, é Oxum quem concebe e é a criadora. Ewá mora nas matas inalcançáveis, inexploradas, tornou-se uma guerreira valente e caçadora habilidosa. Ewá é casta, a senhora das possibilidades. As virgens contam com a proteção de Ewá e, aliás, tudo que é inexplorado a mata virgem, as moças virgens, rios e lagos onde não se pode nadar ou navegar.
Nota-se que algumas personalidades dos Orixás femininos cruzam e se aproximam bastante de características de Deusas gregas, permitindo assim um estudo mais profundo do autoconhecimento.
Uma mulher pode ter vários arquétipos misturados ao mesmo tempo e registrados de geração em geração, ao que Jung chamou de inconsciente coletivo, porém com predominâncias de umas, ou outras Deusas. O aspecto crucial do esquecimento do poder feminino emerge uma nova consciência para o resgate interno.
Dependendo do estágio da vida, a mulher estabelece prioridades e restruturações invocadas por suas atividades. Ao restaurar imagens comuns de arquétipos femininos de nossa cultura, abrem-se portas para o despertar do autoconhecimento evolucional, dando à mulher novos caminhos a serem seguidos, além do retorno de suas raízes, visualizadas por meio de Deusas.
A consciência do Sagrado Feminino contribui muito para a nova lucidez da mulher atual. O estudo do mito feminino continua e abro aqui a possibilidade de ampliar o despertar da Deusa interna com novas mulheres que tiverem dispostas a participar desse projeto. Também com possibilidades de introduzir novas influências de Deusas, conforme Joseph Campbell explicou em seus estudos sobre Mitologia em geral, “há uma demanda insaciável por histórias de heróis, heroínas, Deuses e Deusas”.
Resultados das pontuações das Rodas das Deusas de cada mulher:
Referências
BULFINCH, Thomas. O livro da mitologia: histórias de deuses e heróis. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006
CAMPBELL, Joseph. O poder do mito, com Bill Moyers; org por Betty Sue Flowers. São Paulo: Palas Athena, 1990
ESTÉS, Clarissa Pinkola. Mulheres correm com os lobos. Mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.
ESTÉS, Clarissa Pinkola. A Ciranda das mulheres sábias: ser jovem enquanto velha, velha enquanto jovem. Rio de Janeiro: Rocco, 2007
JUNG, Carl Gustav. O Espírito na arte e na ciência. Petrópolis: Vozes, 2012
WOOLGER, Jennifer Barker. A Deusa Interna: um guia sobre os enternosmitos femininos que moldam nossas vidas. São Paulo: Cultrix, 2007
REDFIELD, James. A Profecia Celestina. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009
TRINDADE, Diamantino Fernandes. OMOLUBÁ: Doutrina e práticos umbandistas: cadernos de Umbanda. São Paulo: Ícone, 2015
Site consultado em 18/08/2015: http://dharmadhannyael.blogspot.com.br/2013/03/a-graca-da-mae-interior.html




O despertar da Deusa interna
